Hoje sai para mais um dia de passeio como no dia anterior. A diferença que agora já me sinto praticamente um cidadão de Boston. Assim, enquanto caminhava para pegar o ônibus, já me planejando.
Cheguei no centro de Boston e, novamente, as ruas estavam vazias e as lojas estavam sendo abertas. E isso já era 9:30! Comprei uma água no meu mais novo fornecedor de tranqueiras, bebidas e afins, o 7-eleven e fui até a Border, uma livraria gigante, para dar uma olhada em alguns dos guias da cidade e descobrir o que fazer.
É engraçado ver que eu não sou o único a ir explorar os recursos deles! Mesmo de manhã já tinha uma grande quantidade de pessoas sentadas lá, lendo revistas e jornais. E a fila para o caixa já estava movimentada. Achei um guia como o de Londres, e comecei a tentar entender um pouco melhor a cidade.
Primeira coisa interessante sobre Boston é que essa foi uma das primeiras cidades a serem criadas, assim como se travaram diversas batalhas aqui no período da colônia. Um exemplo é a famosa Tea Party, na qual os americanos invadiram um carregamento de chá inglês e jogaram tudo no mar! A segunda coisa interessante é que, dentre os passeios sugeridos pelo guia, tinha um chamado The Freedom Trail. Eu já tinha ouvido falar dele, mas não tinha nem idéia do que seria.
Caminhei até o parque da cidade, onde supostamente começaria o passeio. No meio do parque, próximo a um chafariz, vários grupos de turstas se reuniam e se organizavam para sair. Numa das saídas dali, começava no chão uma faixa vermelha, com uns 20 centimetros de largura e feita em tijolos! Esse era o sinal para indicar que alí começava meu passeio.
Segui a trilha de tijolos vermelhos até o primeiro monumento, parte dentro e parte fora do parque. Era um monumento ao primeiro batalhão de voluntários negros que lutaram na guerra civil americana e foram mortos em alguma ação, isso em 1800 e alguma coisa. Dali segui para a Massachusetts State House, uma construção impressionante, coberta por uma abóbada em ouro, mas que eu já tinha visto no dia anterior. Até aí, nenhuma novidade.
Porém, continuando a seguir a Freedon Trail, comecei a me deparar com uma infinidade de cemitérios importantes, igrejas e contruções antigas onde diversos eventos da história americana ocorreram. A cidade começou a mudar na minha cabeça e, naquele momento, comecei a entender porque centenas de turistas vem para cá! Era um museu a céu aberto com quase 2 km de extensão.
As lojas se amontuavam pelo caminho ao redor da trilha, juntamente com as construções antigas extremamente bem preservadas e os turistas. Tudo que tinha alguma razão para ser visitado era um museu. Pago. Como eu estava com um escorpião no bolso, optei pela caminhada e monumentos ao ar livre.
A trilha me levou por caminhos fantásticos, cheio de cores, composições de prédios que misturavam história e modernidade, alamedas arborizadas e caminhos que quase eram secretos. Você quase podia sentir os acontecimentos, ver as pessoas vestidas como a 300 anos atrás, vivendo naquelas construções tão bonitas e sólidas. Cada esquina revelava uma agradável surpresa, como uma feira que estava acontecendo próxima dos mercados centrais.
Quanto mais eu andava, menos pessoas persistiam seguindo a trilha. Um grupo de pessoas levava um grupo de bebês em cadeiras de passeio perseguia velozmente o caminho traçado. Eles estavam determinados a bater algum tipo de recorde, e várias vezes nos trombamos no caminho.
Após quase 2 ou 3 horas de caminhada, cheguei num porto, onde estavam expostos dois navio de guerra americano. O primeiro era um navio super antigo, que estava preservado para visitação, associado a um museu. Pago. O segundo era um navio que lutou na segunda grande guerra e, esse sim, estava com a entrada liberada para turistas econômicos!
Fiquei chocado com os ambientes dentro do navio. Salas apertadas e escuras dava uma sensação de caustrofobia. Todos os espaços eram, de alguma maneira, aproveitados. Munição de diversos tipos conviviam com os marinheiros, que tinha que ter força para carregar, de forma manual, a artilharia do navio. Aquele lugar parecia completamente desprovido de conforto. O único lugar que vi algo diferente disso foi o quarto do capitão, que tinha uma cama parca e diversos telefones e sinalizadores, que com certeza lhe tiravam qualquer tipo de sossego que ele pudesse ter.
O sol do meio dia era implacável, minhas pernas estavam cansadas depois de tantas horas caminhando e meu espirito estava abalado com o navio de guerra. Me sentei próximo a um grupo de atores que estavam caracterizados como pessoas do século 17, acho. Meditei alguns minutos, retomei o fôlego e segui para a útima parte do caminho: a ida ao monumento!
Mais uma boa caminhada e cheguei ao monumento. No alto de um enorme lance de escadas, lá estava ele. Parecia o obelisco, do Ibirapuera. Me aproximei e vi que a entrada era gratuita. Dentro do obelisco havia uma grande escada em caracol com 294 degraus.
Meu Deus!!! Que subida insana! Minhas pernas tremiam e e mal consegui ficar de pé! A vista de lá de cima era bonita. Fiquei um bom tempo lá, esperando minhas pernas descansarem. A descida parecia nunca acabar. Cheguei de volta a base do monumento, fui até as escadas na entrada e me sentei. Segui para uma biblioteca que ficava ali na frente, e que servia como um museu sobre a história americana. Estava tão consado que a melhor parte daquele lugar eram os bancos e o ar condicionado.
Assim que me senti melhor, rumei de volta para o centro da cidade.
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