Nada como chegar no 7-eleven depois de um longo dia de caminhada. Por pouco mais de 7 dolares, comprei um enorme gatorade, um lanche natural e um enorme snickers. Não sei porque, mas meu cérebro faz uma profunda diferenciação entre hamburguer e lanche natural. Para ele, o primeiro é inaceitável como almoço, já o segundo é ótimo e saudável. Culpa do tempo que morei em Londres, em que, quase todos os dias, a Carol trazia lanches naturais, sushi, wraps e todos outros tipos de comidas "saudáveis".
De lá, sai em busca de Harvard. Parecia uma missão fácil, já que ela possui sua própria estação de metrô. Também, não se poderia esperar algo diferente disso, já que estamos falando da primeira universidade dos Estados Unidos, fundada em 1636.
Assim como o MIT, Harvard é uma universidade espalhada, de certa forma espalhada pelo bairro. Porém, diferente do MIT, Harvard parecia um parque vivo, com dezenas de pessoas espalhadas pelo campus, deitadas na grama, estudando, escrevendo, usando seus laptops. Sem contar uma infinidade de turistas caminhado e tirando fotos de tudo. As construções são mais imponentes e impressionantes. A biblioteca central deles parecia um templo romano, gigantesco.
Ao redor do campus, a vida parecia borbulhar mais intensamente. Diversos barzinhos e cafés se esticavam sobre as calçadas e preenchiam os espaços com tilitares e conversas, completando a paisagem e trazendo um delicioso cheiro de café e baunilha. Em frente a uma das saídas, um shopping inteiro dedicado a Harvard, com venda de ingressos para shows, livrarias, lojas de roupas e artigos com a marca da universidade.
Enquanto eu passeava distraidamente, observando um sebo numa espécie de carrinho de hot dog, fui para e interrogado por um rapaz, de uns vinte e poucos anos, me questionando sobre a economia mundial. Como eu já tinha completado meu passeio pela universidade, aproveitei para afiar meu inglês. Ele queria me provar alguma coisa com relação ao fato da economia dos EUA estar indo para o buraco e como um outro economista tinha a solução para todos os problemas. Parecia uma espécie de seita religiosa, já que eles estavam planejando um encontro para hoje de noite. Fiquei um tempão ouvindo ele falar, retrucando e tentando provar que ele estava errado. Foi engraçado. Uma conversa desinteressante e improdutiva pode ser muito divertida se você só entende uns 80% do que a pessoa está falando.
Para finalizar meu dia, estava disposto a tomar uma cerveja no Pub mais antigo dos EUA. Imaginei que isso seria caro, mas ue estava encarando esse evento como uma espécie de visita a um museu. Eu estava preparado para fazer meu primeiro investimento em algo supérfluo!
E que investimento! Minha primeira cerveja foi uma com o nome da casa. Algo como The Bell Ring Ale. Ela já me custou 8 dolares! Mas foram 8 dolares muito bem investidos. A cerveja era ótima, com um sabor todo peculiar. Me sentei em uma das mesas e acompanhei o último set do jogo do Brasil, contra os estados unidos! Antes de terminar o jogo, meu copo acabou, e acabei pedindo mais uma cerveja. Dessa vez uma Budwaiser, que me custou outros 7 dolares. Pelo menos o Brasil ganhou a partida e sai de lá satisfeito com o investimento que eu fiz.
Chegando no hostel, encontrei meus dois companheiros de quarto. Hoje eles estavam decididos a sair e comer comida brasileira. Acompanhei eles até um restaurante brasileiro ali perto e eles comeram feijoada. Adoraram. Ficamos conversando sobre o Brasil e como é perigoso para um turista ir para lá. Um deles, o russo, tem como sonho ir visitar nosso país. Deixei um cartão com ele, para caso ele decida ir.
Na volta, compramos uma caixa de cerveja e ficamos batendo papo até tarde, a toa. Se juntou ao grupo um Koreano em férias nos estados unidos que ainda falava inglês lentamente. O lugar era um salão de jogos, e um grupo de ingleses tentava abrir uma garrafa de vinho com uma faca. Nesse momento eu lembrei que eu tinha um canivete na mochila, e fui buscá-lo na esperança de ter um abridor de garrafas.
O mais incrível é que eu saí do Brasil e entrei nos Estados Unidos de boa com um canivete na mochila. Isso porque eu passei por umas 3 revistas diferentes, vários aparelhos de raio-x e tudo o mais. Mesmo assim, ninguém me falou nada. Já foi o tempo em que se levava a sério esse negócio de terrorismo.
E isso é uma coisa que achei estranha aqui em Boston. Eles não estão nem aí para esse negócio de terrorismo. Não há milhares de câmeras espalhadas por todos os lados, nem avisos de que se deve estar atento a qualquer coisa deixada pelo caminho. As latas de lixo no centro são de metal escuro e todos parecem despreocupados.
Eles conseguiram abrir a garrafa de vinho, que estava realmente muito bom. Depois de algum tempo, fui descansar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário