Graças a um de meus companheiros de quarto, consegui levantar cedo. Eram umas 7:30 quando desisti de lutar contra o barulho que o cara fazia para arrumar suas coisas e decidi ir tomar um banho.
Saí na esperança de tomar um café da manhã, por mais simples que fosse, mas o símpatico funcionário, que já estava farto das minhas perguntas, dissipou minhas esperança, retrucando com um "vocên não leu isso no site antes do fazer a reserva?". Mais gentil que isso, só mesmo os franceses.
Isso me adiantou alguns minutos e, ates das 9:00 já estava na rua, rumando para Boston. Com meu guia de passeio em mãos, segui para o centro da cidade, junto com um monte de gente apressada, correndo para seus empregos. Me senti o único turista lá! Todos pareciam estar atrasados e me olhavam como se fosse um alienígena. Dessa vez me senti assim também. Peguei um jornal e descobri, através do Metro News, que perdemos no futebol feminino para os Estados Unidos. Bad news, mas não para eles, que comemoravam a vitória, dizendo que a defesa sobrepujou nossa atacante Marta, a melhor do mundo.
Cheguei no centro e tudo estava fechado e a cidade acordava. Todas as pessoas desfilavam com seus copos de chocolate com leite e café de 900 ml. Caminhei a manhã toda e as coisas andavam devagar. Visitei um parque, 3 cortes de justiça e não encontrei nenhum supermercado. Percorri um caminho gigantesco, passando por um mercado de comidas e um monumento lembrando o nazismo. O monumento era bem interessante e continha diversos relatos das pessoas nos campos de concentração.
No final, desembarquei em uma espécie de porto que lembrava as bordas do rio Thames. O cheiro de mar era fantástico e me trouxe diversas lembranças. Lá tinha um grande aquário, um grande cinema 3d sobre o mar e mais grandes embarcações para ir visitar baleias e passear pelas ilhas próximas. Ainda não estava com coragem para investir dinheiro nessas coisas, especialmente para fazer a viagem sozinho. Nesse momento me senti um pouco abatido com a solidão.
Tive uma amostra grátis do aquário, com alguns leões marinhos que ficavam num vidro expostos ao público externo. Este era formado por crianças bem pequenas, que se divertiam com os bichos. Os americanos realmente pensam nos detalhes! Tudo é caro, mas eles se divertem!
Nessa região me senti em um feriado. Acho que todo mundo acordou por volta do meio dia, pois quando voltei pelos mesmos lugares pelos quais já tinha passado, todas as ruas estavam lotadas! Fiquei me perguntando como uma cidade tão simples consegue atrair tanto turista! Não há nada de extraorinário aqui, apenas coisas bem construidas e pensadas.
Alias, essa é uma característica que me chamou muito a atenção. Tudo que é construido aqui, parece que foi bem feito e, principalmente, é sempre bem mantido. A todo momento você equipes de manutenção rodando de um lado para o outro, trocando peças, limpando vidros, regando plantas. Tudo parece sempre recem construido, mesmo coisas de 1700, 1800.
No resto do dia revisitei o parque, que já parecia outro lugar com dezenas de pessoas tomando sol, passeando e se divertindo em uma espécie de piscina pública, na qual todas as criaças tomavam banho e alguns adultos arriscavam molhar os pés. Era bem rasa, e um casal a atravessa, compartilhando a diversão com a criançada. Quando cheguei no parque uma banda gospel começou a tocar no coreto. Isso espantou alguns, atraiu outros, mas de um modo geral não perturbou a paz do dia.
Sai de lá decidido a ir visitar o MIT. A cidade é minuscula, e calculei que precisaria de uns 25 minutos para chegar lá. No caminho, tinha uma ponte. E uma ponte que me parecia intrasponível, senão de metro. Tive que abrir mão da minha caminhada e pegar uma carona com o trem. Mais uma vez, subi do lado errado da estação, esporte em que estou ficando cada dia melhor.
O MIT é um lugar um pouco frio, com muitas construções estranhas e pouca gente. Isso porque tinha um grupo de alunos se preparando para a recepção dos bixos. No começo achei que se tratasse de algum experimento. Depois, vi umas barracas e uma frase no mínimo estranha: "Os fracos serão devorados (the weaks shall be eaten)". Bom, deve se tratar de algum ritual de entrada, mas com certeza apoiado pela universidade, já que estava sendo montado entre seus prédios.
Apesar de esquisito, o lugar é muito bem localizado, próximo ao rio Charles, que parece estar em todo o lugar. Além disso, está muito perto do metro, de restaurantes, hoteis e tudo o mais. Outra coisa que me chamou a atenção foi uma espécie de loja do MIT. Lá você pode comprar quase qualquer coisa com o escudo da escola. Ia de compos de cerveja e abridores de carta até canetas de ouro e relógios. Sem contar uma maravilhosa livraria de exatas e administração, onde encontrei vários clássicos das duas áreas. Até me emocionei quando ví ali o livro do Balanis de Teoria de Antenas e o livro de Petter Senge, a quinta disciplina. Esse último na área de autores do MIT.
Bom, fica aqui a idéia: construir uma linha de produtos especializados para as universidades de ponta do Brasil. Quantos recém formados não gostariam de ter uma caneta de ouro da Poli-USP?
Fim de dia e as ruas pareciam cada vez mais cheia. O calor aumentava e eu só queria ir para casa. Finalmente encontrei meu mais novo fornecer de comida, o 7-eleven. Uma rede de baixo custo na qual um só cara fica no caixa e o resto é por sua conta! O auto-atendimento levao tão a sério que você mesmo monta seu café, pega seu donuts e vai para o caixa pagar. Voltei para casa, novamente pegando o metro para o lado errado (é preciso praticar!) e finalmente consegui ligar meu computador!
Enquanto conversava, aconteceu algum tipo de acidente. Mas isso só aconteceu para que minha mãe ficasse preocupada. Ela disse "Que barulho foi esse?", "Foi só pneus cantando aqui perto". Alguns minutos depois já tinha bombeiros, polícia, ambulância e tudo mais. Seja o que foi, agora está tudo calmo novamente.
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