domingo, 31 de agosto de 2008

New York

A viagem para Nova York foi rápida, especialmente quando se vai dormindo. Chegamos em Chinatown, próximo a uma ponte que parecia um monumento. O dia estava amanhecendo e a cidade estava extremamente suja. Por toda parte se via restos de comida e bebida, caixas rasgadas e papeis espalhados, como se a pouco uma grande festa tivesse acabado.

Minha primeira impressão foi péssima. Fomos até uma estação de metro, que parecia abandonada. Isso é uma característica que Nova York compartilha com algumas estações de Boston. Em muitos casos, parece que houve uma guerra ali dentro e ninguém veio dar uma ajeitada na coisa.

Nossa primeira parada foi o famosíssimo Central Park. O que mais gostei lá foi o número de pessoas correndo, andando de bicicleta e, especialmente, levando seus cachorros para passear. Era como um evento social. Diversos cachorros acompanhavam seus donos, corriam pelos gramados e paravam para uma prosa uns cons os outros. Depois, corriam alegremente para seus donos, como que para contar as novidades.

Paramos para tomar café numa Starbucks. Como estavamos em um grupo grande, cada movimento para um novo ponto levava uma eternidade. Depois da Starbucks seguimos para a famosa Time Square. Vimos os diversos musicais que estavam em cartaz na Brodway e passamos por duas lojas gigantes da MM e Harshley. Passamos por outra loja enorme, dessa vez da Toys 'R' Us, que tinha dentro um monte de personagens em tamanho real, como o Super Homem, Homem Aranha e até mesmo uma roda gigante que passava pelos 3 andares da loja.

A cidade estava bastante agitada. Paramos em uma espécie de parque para nos reorganizarmos e acabamos indo comer numa pizzaria, que lembrava muito as pizzarias de Bethnall Green. De lá, seguimos para o local onde estava acontecendo o Brazilian Day.

Foi impressionante a quantidade de pessoas que estavam lá reunidas. Alias, 99,9% eram brasileiros. Barracas de pastel, churrasquinho, comida mineira, baiana e tudo o mais se espalhava pela rua interditada. Os estrangeiros do grupo se divertiam. Paramos em um barzionho brasileiro e lá o pessoal tomou Brahma e, juntamente com o nosso amigo russo, uma rodada de cachaça. Ensinamos eles a dançarem forró e todos adoraram. O lugar estava insuportavelmente quente e logo saimos para achar onde estava acontecendo os shows.

Passamos por um pauco secundário onde estava tendo uma apresentação de funk, bastante animada. Poucos metros depois, chegamos a um ponto que mal dava para se locomover. Era o meio de um cruzamento de duas avenidas, iluminado por um telão pelo qual acompanhamos o show do Lulu Santos. Foi um barato explicar as letras para o pessoal, cantar junto com eles e ver toda aquela multidão vibrando e, por um dia, se sentindo em casa! Era impossível se dizer que você estava em qualquer lugar que não fosse o Brasil.

Logo no final do show, me despedi do pessoal. Eu tinha comprado um ticket de ônibus e queria chegar mais cedo no hotel, para poder descansar um pouco. Segui até a estação de metrô indicada no ticket que eu tinha comprado pela internet. O horário estava tranquilo. Eram 17:00 e o ônibus partiria em 30 minutos.

Comecei a perguntar para as pessoas ao redor da estação e tentar descobrir de onde saia o onibus. Cada pessoa me mandava para um lugar diferente e a maioria não fazia a mínima idéia de onde seria o ponto. Perguntei para os taxistas, comerciantes locais e no guiche de informações do metro. Todas as informações eram desconectas! Comecei a ficar preocupado e tive uma sensação de que eu não coneguiria achar o lugar.

Praticamente as 17:25 achei um ponto de saída de onibus para Boston e Pensilvania. Perguntei para um vendedor de cachorro-quente que estava lá se o Megabus saia de lá e ele confirmo. "Ufa!". Porém, dentro de mim  não saia a impressão de que alguma coisa estava errada. O onibus não estava lá e sei que eles não costuma atrasar. Minha esperança era de que ele estivesse atrasado. Porém, o tempo foi passando e nada. As 17:40 eu liguei na companhia e, tardiamente, descobri que o local não era aquele, que o próximo onibus só sairia as 21:30 e que, mesmo que eu fosse esperar, teria que comprar uma passagem.

Fiquei desolado. Me senti perdido naquele mundo de gente correndo de um lado para o outro. Pensei em tentar voltar e reencontrar o pessoal, mas tinha certeza que seria absolutamente impossível. Parti então de volta para Chinatown, de onde eu sabia que a cada 30 minutos partiam onibus para Boston.

Chegar até lá foi um trantorno. Eu não sabia o nome da compahia, nem o endereço. Mas, mesmo que soubesse, não faria muita diferença. Minha única referência era a ponte e o monumento. Andei muito tempo, obviamente na direção errada, antes de conseguir achar alguém que me desse uma direção. Não tinha certeza se a pessoa tinha entendido o que eu queria, mas aquela era minha única esperança e segui. Era uma caminhada rumo ao incerto, atravessando uma multidão de estrangeiros por ruas apertadas, mais parecendo que eu estava na 25 de março.

Finalmente consegui chegar na companhia chinesa e comprei meu ticket para as 19:30. O final de tarde, quase escuro, deixou tudo melancólico. Viajei com estranhos e me senti completamente sozinho ali. Tudo o que eu queria naquele momento era um rosto conhecido, uma voz familiar. Paramos no McDonalds, na beira da estrada e eu desci para não ficar sozinho no onibus. 

Chegamos em Boston as 23:30. Eu tinha quase certeza que o último trem para Wellesley Hills Station saia a 23:00 e isso me consumia. Corri até a estação de trem e pude ver, para minha total decepção, que realmente não haviam mais trens para lá. 

Nesse momento eu fiquei perdido de verdade. Não sabia o que fazer. Não consegui avaliar minhas alternativas. Eu pensei em pegar um taxi, mas isso me custaria uma fortuna. Eu sabia que eu estava longe de Bason, que ficava a mais de 30 minutos de trem. Não queria fazer um gasto que eu tinha me planejado tanto para evitar. Já eram quase meia noite e, mesmo que eu fosse tentar pegar o metro, era incerto que eu conseguisse chegar em agluma estação próxima de Babson. E, mesmo que eu chegasse, estaria num lugar novo e completamente perdido.

Liguei para a Carol. Assim que ela atendeu, minha garganta fechou e meus olhos se encheram de lagrimas. Mal conseguia falar. Expliquei o que tinha acontecido. Conversar com ela naquele momento me acalmou um pouco e a solução que ela deu foi a mais simples e direta: pegue um taxi daí mesmo. Ela disse que não importava o quanto fosse sair, que o importante era que eu chegasse bem no hotel.

E foi o que eu fiz. Parei o primeiro taxi que encontrei e conversei com ele. Disse que eu estava com 60 dolares e perguntei se ele poderia me levar, por aquele valor, até o Babson College. Eu sabia que a corrida do aeroporto até Babson saia por 55 a 60 dolares e que, provavelmente, estavamos a uma distancia menor. Minha preocupação era com relação a algum tipo de preço especial por ser madrugada.

O taxista concordou em me levar por 50 dolares. Fiquei muito mais tranquilo. ASsim que ele começou a andar, notei que ele não ligou o taximetro. Eu perguntei para ele o porque e ele disse: "Como assim?". Então eu falei: "Ah tah, você vai fazer a viagem por 50 dolares?". Ele concordou.

Andamos uns 15 minutos e ele parou na frente do Boston College. Naquele momento eu entendi o que estava acontecendo. Ele achou que ia ganhar os 50 dolares mais fáceis da vida dele, me levando da estação de trem até o Boston College. Eu expliquei pra ele que não, que o lugar que eu estava indo era o Babson College, que ficava em Wellesley. Ele ficou meio sem graça e pegou a estrada novamente. No caminho, ele foi parando vários taxistas para pedir informações de como chegar lá. Ele não fazia a mínima idéia. Nem eu!

Sei que rodamos por duas horas e só chegamos porque encontramos um cara que praticamente nos guiou até a porta de Babson. Chegando lá ele resmungou um pouco, mas eu enfatizei que eu não tinha como pagar mais. Como ele nem tinha ligado o taximetro, ficou por isso mesmo.

Assim que eu adentrei o salão, encontrei o grupo que estava comigo em Nova York. Eles sairam de lá no onibus das 22:00, levaram só 3:30 pra chegar em Boston e pegaram um taxi que levou 30 minutos para deixá-los no hotel.

Pelo menos cheguei lá. Liguei novamente para a Carol, que a essa hora já estava super preocupada pois esperava que eu levasse uns 30 a 40 minutos para chegar e, depois de 2 horas, não sabia o que poderia fazer do Brasil para saber o que estava acontecendo. Tudo resolvido, fui dormir.

sábado, 30 de agosto de 2008

Sábado pré viagem!

Sábado começou sossegado. Acordei tarde, o suficiente para tomar o café. Estava decidido a ter um dia tranquilo, tinha algumas coisas pendentes para estudar e, principalmente, precisava lavar minha roupa!

Todos tinhas feitos planos para o fim de semana. Uns estavam se arriscando ir para Nova York no próprio sábado de manhã. Outros planejavam ir para Boston o fim de semana inteiro. Os brasileiros estavam planejando ir para Boston no sábado e ir para Nova York na noite de sábado para curtir o dia lá. Eu só pensava em não ir para Boston!

Achei que passaria boa parte do dia sozinho. Fui tomar café, planejando algumas horas de estudo, uma parte do dia para lavar roupas e pensar um pouco sobre a estratégia da nossa empresa. Porém, antes mesmo de eu terminar de organizar, aos poucos o pessoal começou a aparecer para tomar o café da manha! A maioria do pessoal não tinha ido para lugar nenhum e acabmos passando o dia juntos. Lá se foram minhas horas de estudo!

Mas eles estavam descidido a ir para Boston, e eu decidido a ficar! Porém eu queria aproveitar para ir para Nova Yorque com eles. Como fazer? Compramos as pessagens juntos, para o onibus das 2:00 da manhã. Eles iam para Boston, gastar o dia lá, ir para um bar a noite e depois ir para a estação de onibus. Eu queria fazer minhas coisas, então me programei para sair daqui umas 9:00, pegar o trem e ficar na estação das 10:30 até as 2:00. Ainda não sabia o que fazer com esse tempo, mas essa alternativa era ainda melhor do que ir para Boston com o pessoal.

Eles partiram. Eu fiz todo o planejamento e fiquei satisfeito! Gastei um bom tempo vendo que horas partiria, onde chegaria, como faria para voltar para Boston no domingo e tudo me levava a crer que seria uma viagem econômica e simples de executar! Parti então para a primeira parte: lavar minha roupa.

Bom, nem lavar a roupa foi fácil. Primeiramente eu cheguei num lugar que mais parecia uma vila. Tinha um gramado, umas casas enormes e um estacionamento com carros de dar inveja, como um porche. No gramado, uma menina aproveitava a tarde com um livro e, ao fundo, algumas criaças brincavam com seus pais a observar. Comecei a buscar a casa número 9, sem sucesso. Fui até a menina na grama e, muito solicita, me abriu a casa número 2 e me explicou que a lavanderia que ela conhecia ficava no sótão.

Maravilha, pensei eu! Fui até lá e descobri que só funcionava com moedas de 25 centavos. Voltei até a menina e conversei mais um pouco. Ela desceu lá comigo e usou um cartão que eu também tinha, mas que o meu estava descarregado. Depois ela ainda pediu licença e voltou alguns momentos depois com mais 1,25 em moedas de 25 centavos, para que eu pudesse pagar a secagem! Agradeci um monte e insisti para que ela aceitasse o dinheiro de volta, mas ela se recusou.

Segundo meu planejamento, a lavagem levaria uma hora e dai eu iria jantar. Porém, a lavanderia discordava de mim e só a lavagem levou 55 minutos! Estava desesperado, pois já eram 17:40 quando a lavagem acabou, faltava secar as roupas e o restaurante onde jantamos fechava as 18:30 no domingo! Quando coloquei a roupa na secadora, ela me informou: 55 minutos para secagem! Ótimo, consegui perder minha janta.

Ter minha roupa limpa me deu um animo extra. Fui até o quarto, peguei alguns snacks para comer e beber e encontrei salgadinho e castanha de caju, que a Carol comprou pra mim antes da viagem. Foi uma ótima janta! Me preparei e parti, próximo das 21:00, para ir pegar o trem.

A caminhada foi estranha. Atravessei ruas escuras e vazias, pensando: "Tudo bem, isso aqui é um lugar tranquilo!". Porém, como bom brasileiro, fiquei com um friozinho na barriga. Como eu ainda não tinha feito esse caminho a noite, consegui me perder. Porém, como num bom filme americano, encontrei uma família inteira fazendo um passeio noturno. Pai, mãe, filho pequeno correndo com uma lanterna, cachorro e um bebê no carrinho! Me deu uma sensação de segurança e tranquilidade enorme! Eles me indicaram o caminho e, poucos minutos depois, já estava na estação de trem.

Wellesley é uma pacata cidade dos Estados Unidos. E como uma boa pacata cidade, não havia um único ser humano pelo caminho. Com excessão da familia, não cruzei com nenhuma outra pessoa nos 30 minutos de caminhada. A estação parecia aquelas de filme de faroeste. É uma parada, com algumas placas e a céu aberto. Fiquei lá preocupado com o lado em que o trem chegaria, e, pontualmente as 10:02, o trem chegou.

A chegada a estação foi uma grande alegria! Me lembrou muito a estação que ficamos em Glasgow, na Escócia. Muitas pessoas circulavam e algumas lanchonetes estavam abertas. Pensei comigo que não seria tão dificil esperar algumas horas lá. Rapidamente segui para a estação de ônibus, um anexo de onde estava. Lá, me senti ainda mais animado, já que o número de pessoas era ainda maior e encontrei um McDonalds que funcionava 24 horas! Minha sobrevivência estava garantida! : )

Mas eu não estava satisfeito de ficar na estação esperando o tempo passar e decidi sair e dar uma volta. O lugar ficava praticamente dentro de Chinatown, com todos os letreiros em chines e, alguns, em inglês. Comecei fazendo iterações curtas, dando a volta no quarteirão. Vi casasi andando por alí, pessoas chegando e saindo e me senti tranquilo. Achei um bar que vendia hamburguer no maior estilo americano, como lembro de ter visto no MIB. Não me animei a parar e continuei andando. Em dado momento, vi uma casa com uns estrangeiros na porta. Me animei e entrei. Perguntei se ainda estavam abertos e o garçom me disse que a cozinha já tonha fechad. "Sem problema, amigo! Me dá uma cerveja."

ercebi que havia um palco ali próximo ao bar um uma enorme moça negra e simpática conversava com a banda que ainda estava lá. Me aproximei despretensiosamente, apenas para me sentar. Ela conversava animadamente sobre as músicas e pediu para eles tocarem alguma coisa. Eles se animaram, pegaram os instrumentos e ali, naquele momento, minha noite ganhou vida!

O piano começou a dar brilho ao ambiente. De repente, as pesadas cordas de um baixo rústico e desproporcional ao tamanho do músico que o empunhava se emaranharam com os batuques característicos de uma bateria, compondo uma maravilhosa peça de Jazz! O trio começo a ganhar vida e rapidamente a moça que os incentivou pediu para o garçom desligar o som ambiente. As poucas pessoas que se sentavam junto ao bar começaram a se animar e logo todos conversavam alegremente. A músca enchia o bar, agora renovado.

Para a segunda música, a nossa agitadora da banda subiu ao palco. O que se poderia esperar? Eu não fazia idéia. Pedi mais uma cerveja e repousei minha atenção no quarteto que acabara de se formar. Ela folheou as páginas de um caderno que carregava consigo e combinou alguma coisa com a banda. Novamente, todos concordaram. O piano entrou novamente, mas dessa vez foi logo seguido pela voz doce e vibrante daquela mulher! O espetáculo ficou ainda mais deslumbrante! Fiquei até a casa fechar, agradeci os músicos pela maravilhosa noite que me proporcionaram e fui para a estação.

Agora o tempo estava voando. Poucos minutos depois de chegar ao local de partida do onibus para Nova York, adormeci. Quando acordei, avistei o pessoal com quem ia viajar! Reunimos o grupo e fomos para o onibus, rumo a Grande Maçã!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

WE ARE UNSTOPPABLE!

A manhã de hoje foi o climax de deslumbramento, encantamento e acabou despertando em nós um sentimento comum, com aprendizados diferentes para cada pessoa naquela sala.

O caso, na realidade, possuia duas versões. Uma dada pelo paper da Harvard Business School. A outra, que ganhou viva e entrou fundo no espírito de todos nós, a versão contada pelo Carl Youngman, um senhor com 42 anos de carreira, CEO de 50 empresas diferentes e uma capacidade única de esmiussar o caso.

Assim, hoje, o melhor que posso fazer é compartilhar meu aprendizado e minha visão. Cada um com que conversei na hora do almoço teve insghts diferentes, relacionados com seu momento.

O caso era sobre um cara brilhante. Formado pela Harvard School com menção honrosa, muitos anos trabalhando em Private Equity, um MBA em Harvard novamente, e novamente com menção honrosa. Depois de tanto tempo e teoria sobre como as empresas precisavam se desenvolver finaceiramente para se tornarem mais lucrativas na hora da venda, ele queria ver a coisa mais real. Queria conehcer COMO as coisas eram feitas para que os números fossem atingidos.

Assim, com todas sua carreira brilhante, foi trabalhar em uma empresa de verdade. E no meio do caminho, tinha uma empresa de cométicos, que ele decidiu comprar. E ele o fez, e com mais 1 milhão de dolares de seus amigos (ele com certeza possuia uma rede de contatos fantástica) ele reorganizou o negócio e, em 3 ou 4 anos as coisas estabilizaram, mas não estava dando lucros. E seus amigos disseram a ele: Ok, você já se divertiu bastante, mas vamos por alguém que saiba o que está fazendo e vamos fazer nosso dinheiro multiplicar.

Nesse momento, entra uma pessoa. Uma mulher, que optou por não fazer faculdade, se especializando em maquiagem. Sua paixão era cosmético. Tanto que ela ganhou um premio Ravlon nessa área. Mas ela não queria ir para o escritório, ela queria manter o contato com o consumidor. E o fez por muito tempo. Aos poucos, contruiu uma carreira simples, dentro de várias empresas do ramo.

O caminho dos dois se cruzaram graças a um corretor de imóveis amigo do nosso CEO. Ele estava procurando alguém para o negócio e, como um brom empreendedor, pedia a TODO MUNDO por indicações de pessoas.

Em pouco mais de 6 meses no cargo, nossa apaixonada recém contratada vice presidente já estava trabalhando em seu cargo e nosso brilhante CEO recebeu uma proposta para ir para outra empresa, o que o fez prontamente, deixando nossa vice presidente no cargo de presidente.

O que se poderia esperar dela? Ela não tinha experiência em gerencia, não tinha vindo de grandes escolas, alias, ela nem tinha feito faculdade! Não havia mais ninguém na empresa para orientá-la, não haviam outros diretores e, sequer, o apoio de nosso brilhante CEO, que agora trabalhava em outro estado, para uma outra companhia.

O que se sucede, para encurtar a história, e uma sequência de decisões aparentemente simples, mas que dependeram de persistência, persuasão, conhecimento do cliente e criatividade que tornaram um invetimento inicial de 1 milhão de dolares numa empresa vendida por 242 milhões de dolares, rodada na mão dessa incrível e apaixonada mulher. Ela era simplesmente UNSTOPPABLE!

A lição que ficou é que existem diversos perfis que nos levam a ser empreendedores de sucesso. E eles não estão necessariamente associados a grandes universidades nem a grandes empresas e cargos no seu currículo. O que é fundamental é:
  1. Conheça seu consumidor, DE VERDADE!
  2. Seja apaixonado pelo que faz
  3. Seja UNSTOPPABLE
  4. Faça com que as pessoas comprem suas idéias e te sigam
  5. Consiga comprar por pouco, vender por muito, adiar pagamento e adiantar recebíveis
  6. Erre rápido
Acho que muitos pontos poderiam estar nessa lista, mas acho que esses são os pontos chaves, que levaram ela a construir um negócio milionário sem consultorias, reuniões com diversos diretores, quadros de conselheiros e estrutura organizacional nenhuma. Seu poder era tamanho que, ao tentar vender a companhia, nosso CEO encontrou uma barreira enorme, já que a empresa que comprou o negócio e nossa presidente não se entenderam muito bem e ela disse: Eu não quer mais trabalhar aqui!

Seu papel era tão chave e ela era tão insubstituível que o negócio foi desfeito. Ela escolheu uma outra empresa que tinha participado das negociações, que acabou pagando menos (cerca de 30 milhoes de dolares a menos), mas entrou em sintonia com ela. Ela passou a fazer apenas o que ela gostava na empresa e outros diretores foram contratados para outras funções como financeiro, canais de distribuição, operações, etc. (Lembre-se que ela, até o momento, realizava todos os papeis de todos os diretores e consegui contruir uma empresa de 242 milhões de dolares)

Fazendo só o que gostava, a empresa saltou para uma valor de mercado de 1.35 bilhões de dolares (http://finance.yahoo.com/q/pr?s=BARE).

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Negociação

Durante a noite de ontem, fiquei umas 3 ou 4 horas conversando com o Millor, um dos brasileiros que vei para cá e, coincidentemente, um cara que conheci num dos EPEJ's da vida, sobre seu plano de negócios. Cada dia que passava ele tinha mais paixão dentro dele e mais vontade de por isso para funcionar. Avançamos bem com os conceitos básico. Para mim, uma oportunidade para desafiar meus conhecimentos e ferramentas. Para ele, quem sabe o início de uma nova empresa.

A aula de hoje foi novamente uma daquelas que mudam sua visão de vida. Negociação deve ser posta em 3 pontos extremamente poderosos:
  1. Conheça os seus limites (o mínimo e o que você deseja)
  2. Conheça o outro lado quer, e faça isso muito bem!
  3. Tenha, EM TODA NEGOCIAÇÕES, alternativas boas para caso em que a negociação não consiga ir para lugar nenhum (BATNA)
É claro que, somado a isso, temos outras discussões que permeiam a questão, como ética, pensamento win-win e sustentabilidade, estilos de negociação e tudo mais. Como Anne Donnellan disse: Estude tudo o que você puder sobre negociação, pois, no final, tudo rodará em torno disso!

O mais incrível foi como ela colocou tantos conceitos em 3 atividades tão simples. Na primeira, tinhamos que realizar uma negociação da venda de um terreno. Eram formadas duplas e cada um exercia um papel. Eu era o comprador e tinha algo em mente entre 20 e 40 mil dolares, em que estaria satisfeito. Nessa atividade, amarguei uma situação muito desagradável. Omar, um dos ingleses, mentiu para mim. E, no final das contas, fui um dos caras que pagou o preço mais alto pelo terreno.

Naquele momento, pensei como eu era um péssimo negociante e muitas coisas vieram a minha cabeça. Mas, a pior de todas foi a mentira. Eu sei, muitos podem dizer: Ah, o que é isso! É só um jogo!

Infelizmente eu não acredito nisso e, essa pequena artimanha que ele usou simplesmente me tirou toda a vontade de me aproximar dele. No final das contas isso foi ótimo, porque eu fiquei tão emocionalmente envolvido com o assunto que a aula foi extremamente rica para mim. Acabei participando de todas as discussões, que foram de ética, sustentabilidade até estilos de liderança.

Na segunda parte da aula, a simulação foi muito mais complexa. Seria uma negociação com seis interessados na mesma mesma. Cada um tinha um papel diferente, que envolvia interesses conflitantes. De um lado, um grupo de investidores queria construi um porto para receber navio de grande capacidade. Para isso, precisariamos de uma licensa de um orgão chamado FLA. Porém, para conseguir a licensa, precisaríamos do apoio de 4 dos cinco envolvidos no projeto: os ambientalistas, a organização de classe trabalhadora, o governo local, um orgao da união responsável por boa parte do capital e, por fim, de um porto que já operava na região e acreditava que seria prejudicado pela construção do novo porto.

Tive a honra de pegar o papel do porto a ser contruido. Eu tinha que conseguir a aprovação de 4 dos 5 envolvidos, e eu tinha um limite de concessões a fazer. O jogo foi impressionante. Foram 30 minutos de preparo e mais 1 hora e meia de negociações, com uma rodada de votos a cada 30 minutos. Foi extremamente cansativo, mas ao final consegui que todas as partes aceitassem o acordo! Uma vitória para mim.

Percebi que, no final das contas, tudo o que importa está definido no começo desse texto. Você precisa saber o que você quer, quais os interesses que você representa, e isso não é nada facil, especialmente considerando aspéctos de sustentabilidade e ética. Em seguida, você precisa entender profundamente o que o outro lado quer. É preciso fazer isso antes da negociação e durante a negociação, buscando sempre melhores alternativas para os dois, especialmente buscando formas de aumentar o tamanho da torta, ao invés de aumentar o seu pedaço.

Por fim, mas não menos importante, você precisa ter claras alternativas àquela negociação, que te deixaram confortável para simplesmente dizer: Ok, eu acredito que seria ótimo fazer negócios com você, mas se não chegarmos em um acordo, eu tenho uma outra alternativa. E, nesse ponto, é importante entender quais são as alternativas do outro lado da mesa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

DO YOU HAVE PASSION??????????????

YEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAAAHHHHH BAAAAAAAAABY!

E assim começa nossa aula sobre planos de negócios!!! O case era sobre uma empresa chama P'kolino (www.pkolino.com). Como não podia ser diferente, o professor usava uma camiseta com a marca da empresa. Depois vim a descobrir que ele era parte do board advisor da empresa, que era formada por ex-alunos da Babson MBA.

A aula foi fantástica! Focamos nossos estudos discutindo a estratégia de mercado da empresa, detalhamos a forma como atuariam, como distribuiriam seus produtos e como pretendiam acessar diferentes tipos de mercados em diferentes momentos. Nossa primeira atividade foi interpretar os 3 papeis: um do cara que ia apresentar a empresa para a sala e os outros seriam o investidor e o empreendedor, que estava pedindo o dinheiro. Cada grupo montou uma folha A1 com pontos a serem apresentados. Eramos o empreendedor e teríamos que nos preparar para responder questões relativas a nossa empresa.

Depois de nos prepararmos, na correria, montamos nossa folha de apresentação. Primeiro ele chamou o grupo que apresentava o caso. Eles elegeram um cara para falar (por acaso o inglês do grupo) e fizeram uma breve descrição do caso. Em seguida, ele chamou os outros dois representantes dos grupos para frente da sala. Cada um carregava sua folha A1 com os pontos. Ele pegou as duas folhas e, sem ao menos olhar para elas, amassou as duas e disse: ok, não precisamos de uma apresentação aqui. Quero que vocês ajam como seria em uma reunião real entre investidor e emrpeendedor!

O resultado foi divertido. Nós não teríamos conseguido o investimento! Mas os caras da P'kolino conseguiram e hoje são uma empresa de sucesso, que está crescendo e atingindo novos mercados!

Na segunda parte da aula, discutimos sobre os pontos importantes da apresentação, do plano e tivemos uma breve apresentação de um plano de uma aluna dele que estava buscando 3,7 milhões de dolares para o lançamento de um tratamento para pessoas com pedras no rim. Sim, ela conseguiu o dinheiro!

Nesse meio tempo, enquando falavamos sobre a importância de se ter a empresa na ponta da lingua, ele nos desafiou a fazer um Elevator pitch! Eke me perguntou, pois eu já tinha dito q tinha uma empresa. No primeiro momento eu declinei, mas antes mesmo de termiar de dizer não meu cérebro me disse: Come on! Surely you can do this! Rapidamente chamei a ateç#ao dele e disse: Professor, acho q eu posso tentar sim!

O resultado? Bom, graças ao gatilho rápido do Daniel (http://inovareempreender.blogspot.com/) nesse momento, o resultado está aí abaixo:



O mais legal foi que esse vídeo acabou passando pelas mão de um monte de gente. Alguns dias depois, descrobri que esse vídeo foi mandado para o pessoal da Poli, que mandou para o pessoal do Santander, que mandou para o pessoal de Babson. :) Publicidade para a GTPlenus!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Leadership and Transformation

Hoje tivemos dois casos de estudo. O primeiro tratava de dois caras, um biologo, que hoje trabalhava como gerente de plasticos em uma empresa e outro cara, chamado Mark, que era engeheiro de materiais e estava sob o comando do cara anterior.

Eles estavam frente a um dilema: ser ou não empreendedores? Arriscar ou se manter no emprego atual? O caso descrevia uma oportunidade que eles acreditavam ter encontrado e eles estavam frente a uma difícil decisão de compra de uma máquina num leilão.

O caso explicava um pouco do complicado mercado de injeção de plástico em moldes e todas as dificuldades que os dois enfrentariam. No final, a haviam algumas perguntas que iam de, eles são empreendedores até eles deveriam comprar a máquina.

Em classe discutimos as opções. Colocamos todos os pontos de vista do pessoal, sobre cada pergunta. Ao final da discussão, o professor porguntou: Vocês querem que eu traga o Mark aqui? Todo mundo se entreolhou e ele foi lá fora e grutou: Mark, vc pode entrar!

De repente ele volta pra classe com uma placa no pescoço escrita: Mark. Todo mundo rio! E ele disse, essa é a história da minha primeira empresa. Nós compramos a empresa e começamos a empresa. Dai ele mostrou algumas fotos da primeira empresa, dele trabalhando com o outro cara, consertando a máquina, limpando o salão rescem alugado que ficava num buraco e contruindo paredes para montar a empresa.

Depois daquele negócio, ele abriu outros 10. E, como ele disse, uma vez empreendedor, você nunca para!

A tarde discutimos o caso da Polaroid. Uma empresa brilhante, criada e mantida pelo Dr. Land, um cara que entrou em Harvard e, com apenas 17 anos, ele largou a faculdade para realizar seus estudos sobre polarização de luz a partir dos quais surgiu a empresa.

Nos anos 70, ele já detinha mais de 530 patentes em seu nome, já tinham descobertos mais de 10 mil novos componentes químicos e eram uma espécie de Google da época: uma empresa inovadora e focada em desenvolvimento.

Eles pareciam uma empresa indestrutível, até que o inevitável aconteceu: o mercado mudou, e as cameras digitais entraram no mercado. A empresa fez muitos investimentos errados e não entrou a tempo no mercado de cameras, nem focou em outros mercados aproveitando seu potencial.

No final do case, após descrever todos os CEO que cuidaram da empresa, ficou a pergunta: Quem matou a polaroide?

Não satisfeito com a surpresa da manha, nosso professor Mike Gordon nos trouxe uma surpresa ainda mais fantástica: Ele trouxe um do vice presidentes da empresa entre 70 e 82, braço direito do Dr. Land!

Montamos grupos e discutimos estratégias para salvar a empresa. De um lado tinhamos nosso professor que, antes de montar sua primeira empresa, trabalhou por 10 anos na polaroide, falando sobre a empresa. Do outro, tinhamos um de seus vice presidentes, com quase 40 anos de empresa. Um belo advisor board para nosso desafio!

Mas o professor disse: não se sintam pressionados! A Polaroide contratou a McKinsey por meses e meses e eles nao conseguiram salvar a empresa! :)

Ao final do dia, fizemos nossas apresentações para o vice presidente da Polaroide, que julgou e escolheu a melhor! Simplesmente fantástico!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

E comecem as aulas!

Conforme nossa agenda, hoje o dia começou cedo! ÀS 8 da manha teríamos um café da manha em conjunto, então preparei meu despertador para as 7 horas da manhã. Dessa vez, foi muito facil levantar. Estava ansioso por conhecer o pessoal e tive uma excelente noite na minha nova cama, que deve ter quase o mesmo tamanho da cama de casal em São Paulo.

Levantei e me aprontei, com uma camisa cobrindo minha camiseta branca recem adquirida pela Carol e uma calça jeans preta. Bastante posh para um café da manha no hotel. Eu esperava pelo pior. Já conseguia ver os ovos com feijão e sausichas sendo servidos na mesa de café da manhão. O mais tradicional English Breakfast!

Para minha sorte o café da manhã estava delicioso! Haviam diversas opções, para todos os gostos. Ia do tradicional ovo frito com bacon e cebola até um leve e saboroso iogurte de frutas com granola e frutas frescas, como blueberrys, raspeberrys e abacaxi. Ao me sentar na mesa, que tinha uns 10 tipos diferentes de talheres, uma garçonete ainda veio me oferecer: "Suco de laranja ou café com leite?". Really posh!

No final das contas, o café da manhã não teve nada de integrativo. Apenas colocaram todas as pessoas em um mesmo salão. No final, o cara de relações internacionais do grupo convidou a todos para um passeio, no qual tivemos a oportunidade de irmos nos conhecendo.

Conheci um mexicano, um português e dois ingleses. Todos estudantes das mais variadas escolas. no caminho conversei com uns argentinos, espanhois e russos, de cursos que iam de direito a ciências cognitivas, passando por marketing, administração e computação. A quantidade de sotaques que se misturavam a cada conversa é impressionante! Sem contar alguns cortes e conversas em paralelo em todos esses diferentes idiomas, todos num clima animado, cercados pela tranquila Babson. Foi uma ótima oportunidade de conhecer o pessoal.

A abertura do curso foi fantástica. Primeiro, quem falou foi o diretor da parte de International Business. Ele lembrou a todos como somos privilegiados de termos essa oportunidade e como o Babson College tem sido eleito, a 14 anos, a melhor escola de empreendedorismo dos Estados Unidos. Falou de todas as famílias de empreendedores que já passaram por lá e da missão deles de nos ensinar, nessas duas semanas, o mindset de empreendedorismo da Babson. Ele disse: "Hoje, quando vocês ligarem para seus pais, esposas e familiares, podem dizer para eles que essa é a oportunidade da sua vida, pois vocês estão na melhor escola de Empreendedorismo dos Estados Unidos. E vocês podem se orgulhar disso.".

Em seguida, quem falou foi o reponsável pelo programa de empreendedorismo do Santander. Primeiramente, ele disse que ali estavam pessoas das melhores universidades dos países em que o Santander atua e que nós fazíamos parte de um seletíssimo grupo de estudantes, parte da primeira turma de um programa que pretendia levar, juntamente com a Babson, o desenvolvimento do empreendedorismo para as universidades parceiras do Santander. Eles já contam com mais de 600 parcerias em universidades ao redor do mundo e tem feito um investimento sério e consistente em apoio e desenvolvimento do ensino pelo mundo. Foi emocionante!

Tivemos um almoó ali mesmo no prédio e tive a oportunidade de conversar um pouco mais com o cara do Santander. O cara compartilha da mesma idéia que eu com relação ao desenvolvimento do empreendedorismo. No final ele passou o email dele e, com certeza, vou estabelecer contato.

A segunda parte do curso foi interessante, com alguns insights sobre empreendedorismo, geração de idéias e uma discussão inicial sobre o mindset de um empreendedor. Várias questões foram abordadas de maneira muito rápida, o que supões que teremos que correr por fora para conseguirmos acompanhar o curso. Os casos que precisaremos estudar hoje já envolvem o que foi dado em aula, de forma a fixar o que foi discutido e de nos preparar para as aulas de amanha.

Agora vai começar uma recepção para os alunos e eu estou indo para lá! Amanhã o dia vai ser corrido e tem bastante material para pesquisar e estudar para hoje. E dá-se a largada em Babson!

domingo, 24 de agosto de 2008

Finalmente em Babson!

Hoje me levantei tarde e com uma boa dor de cabeça. Comecei a arrumar minas coisas e me preparar para me mudar. Tudo já estava planejado. Pegaria um ônibus, seguido do metro. Iria até a estação de Back Bay e de lá tomaria um trem para Welleslay Hill.

Fiz meu checkout sem grande problemas e parti para completar meu plano. Já era tarde, praticamente 11 horas. Saindo do hostel em direção a um ponto de ônibus um americano me chamou. Ele perguntou se eu já estava indo embora e começamos a conversar. Quis saber o que eu achei da cidade, e outras coisas. Muito simpático.

Segui meu plano sem grandes problemas até a Back Bay Station. Nem a mala me incomodava muito, pois, apesar de estar desajeitada e pesada, eu me consolava com a idéia de que só teria que carregar ela mais uma vez, em direção ao aeroporto. A estação estava vazia e eu com pouco dinheiro. Na verdade, isso não é um grande problema por aqui, já que eles estão muito bem preparados para trabalhar com cartão de crédito em todo lugar. Mesmo no metrô, é possível comprar o ticket em máquinas de auto-atendimento com seu cartão internacional.

Comprei meu ticket e fiquei alguns minutos para entender como as coisas funcionam. O sistema de trem que me levaria para Babson era diferente do sistema de trem que roda na cidade. Lá, o sistema é organizado em zonas, assim como el Londres. Eu estava percorrendo da zona 1 para a zona 3, e paguei 5,25 dolares por isso. Mais tarde, vim a descobrir que, muito provavelmente, comprei o ticket a toa e meu ticket anterior, o de 7 dias, me daria direito a essa viagem.

De qualquer forma, os trens passavam com horários pré-determinados. O meu sairia da estação as 12:51 e dizia no painel que ele estava "on time". Sai para procurar um lugar para comer e uma inglesa me ajudou a achar um Starbucks. Até tentei comer antes em uma loja da Dukin Donuts, mas eles só tem tranqueiras, como rosquinhas e donuts. E o cheiro da loja me deixa enjoado!

Consegui encarar um sanduiche natural e um suco com água gaseificada. Nem bom, nem ruim. Meu trem chegou pontualmente as 12:51, com uma mulher gritando através do sistema de som da estação. Estava tão desregulado que todas as pessoas lá faziam careta e tentavam tapar os ouvidos. Mal dava pra entender o que ela estava falando.

Para minha surpresa, o trem tinha 2 andares! Fui no segundo andar e foi um martirio transportar a mala. Ela era maior que o espaço entre as cadeiras, então tive que carregá-la de maneira totalmente desajeitada. Me acomodei e vim observando a paisagem, que foi gradualmente mudando de cidade para uma espécie de parque bem arborizado.

Estava tão destraido que não ví que, por eu estar no segundo andar, n ão dava pra ver que o trem estava parando nas estações. Por pouco não perdi a minha! Me posicionei e desci no lugar certo. Era um lugar bem pitoresco e calmo. Desceram comigo mais umas 4 ou 5 pessoas. Comecei a caminhar em direção a Babson. Seriam 1,3 km na Abbott Road e mais uns 300 metros na forest road. No caminho, aproveitava a paisagem para tirar umas fotos e dar um descanso para meus braços e pernas. O lugar ali parecia uma pintura! Cada casa maravilhosamente construida e integrada com o lugar, que era verde e muito arborizado.

No caminho, uma mulher parou o carro e me ofereceu carona. Ela já tinha resgatado outras 3 pessoas que desceram comigo no trem e, depois vim a saber, também estavam indo para Babson. Ela estava no último semestre de Business. O outro cara era da Espanha e estava indo para o mesmo seminário que eu. Parece ser muito gente boa.

O quarto é simplesmente maravilhoso! Com camas grandes, bastante espaço e muitos detalhes, deixam a coisa toda muito luxuosa! O banheiro é muito bem arrumado, com muitas toalhas e uma banheira, que com certeza usarei todos os dias! Espalhei minhas coisas pelas gavetas e cabides, organizei o que estava sujo, limpo e me fiz sentir em casa. Minha mala está vazia e minhas coisas estão confortavelmente organizadas, como se eu sempre estivera lá.

Aproveitei meu tempo livre para organizar as contas e atualizar meus registros de viagens. Aproveitei também para passar algumas camisas. Depois de por tudo em ordem, sai em busca de um supermercado. Queria comprar algumas coisas e aproveitei para jantar. O caminho seria longo e o recepcionista me deu todas as instruções, já me alertando que eram de 2 a 3 km de distância. "Por mim, ótimo", disse para ele: "Aproveito e já faço meu exercício!".

Ele estava certo. Tivemos que pedir informações duas vezes no caminho e andamos por muito tempo! Antes de ir, encontrei meu companheiro de quarto, o Daniel. Fomos juntos para o supermercado. A caminhada foi linda e um dos caras que nos deu informações explicou que aquele se tratava de um bairro de milionários. Cada casa ali valia 1, 2 milhões de dolares. Mas acreditem, foi um dinheiro bem empregado. Tudo ali era perfeito!

Trouxe do supermercado meu primeiro pacote de cookies. Consegui pagar 1,65 dolares nelas, o que foi um achado. Ainda nao tinha tido coragem de comprá-las, porque sempre estavam muito caras.Comi minha janta por ali e voltei para o hotel.

sábado, 23 de agosto de 2008

Mapa do segundo dia e um bônus!

Como no segundo dia minha caminhada se deu principalmente sobre o Freedom Trail, já apreveitei e tirei uma foto do caminho oficial. Nele fiz algumas marcações de pontos importantes.


E, de bônus, estou colocando um vídeo que fiz sobre a ponte. Não é nada de outro mundo, mas é legal para se ver a estrutura da ponte! : )


A cerveja mais cara do mundo

Nada como chegar no 7-eleven depois de um longo dia de caminhada. Por pouco mais de 7 dolares, comprei um enorme gatorade, um lanche natural e um enorme snickers. Não sei porque, mas meu cérebro faz uma profunda diferenciação entre hamburguer e lanche natural. Para ele, o primeiro é inaceitável como almoço, já o segundo é ótimo e saudável. Culpa do tempo que morei em Londres, em que, quase todos os dias, a Carol trazia lanches naturais, sushi, wraps e todos outros tipos de comidas "saudáveis".

De lá, sai em busca de Harvard. Parecia uma missão fácil, já que ela possui sua própria estação de metrô. Também, não se poderia esperar algo diferente disso, já que estamos falando da primeira universidade dos Estados Unidos, fundada em 1636.

Assim como o MIT, Harvard é uma universidade espalhada, de certa forma espalhada pelo bairro. Porém, diferente do MIT, Harvard parecia um parque vivo, com dezenas de pessoas espalhadas pelo campus, deitadas na grama, estudando, escrevendo, usando seus laptops. Sem contar uma infinidade de turistas caminhado e tirando fotos de tudo. As construções são mais imponentes e impressionantes. A biblioteca central deles parecia um templo romano, gigantesco.

Ao redor do campus, a vida parecia borbulhar mais intensamente. Diversos barzinhos e cafés se esticavam sobre as calçadas e preenchiam os espaços com tilitares e conversas, completando a paisagem e trazendo um delicioso cheiro de café e baunilha. Em frente a uma das saídas, um shopping inteiro dedicado a Harvard, com venda de ingressos para shows, livrarias, lojas de roupas e artigos com a marca da universidade.

Enquanto eu passeava distraidamente, observando um sebo numa espécie de carrinho de hot dog, fui para e interrogado por um rapaz, de uns vinte e poucos anos, me questionando sobre a economia mundial. Como eu já tinha completado meu passeio pela universidade, aproveitei para afiar meu inglês. Ele queria me provar alguma coisa com relação ao fato da economia dos EUA estar indo para o buraco e como um outro economista tinha a solução para todos os problemas. Parecia uma espécie de seita religiosa, já que eles estavam planejando um encontro para hoje de noite. Fiquei um tempão ouvindo ele falar, retrucando e tentando provar que ele estava errado. Foi engraçado. Uma conversa desinteressante e improdutiva pode ser muito divertida se você só entende uns 80% do que a pessoa está falando.

Para finalizar meu dia, estava disposto a tomar uma cerveja no Pub mais antigo dos EUA. Imaginei que isso seria caro, mas ue estava encarando esse evento como uma espécie de visita a um museu. Eu estava preparado para fazer meu primeiro investimento em algo supérfluo!

E que investimento! Minha primeira cerveja foi uma com o nome da casa. Algo como The Bell Ring Ale. Ela já me custou 8 dolares! Mas foram 8 dolares muito bem investidos. A cerveja era ótima, com um sabor todo peculiar. Me sentei em uma das mesas e acompanhei o último set do jogo do Brasil, contra os estados unidos! Antes de terminar o jogo, meu copo acabou, e acabei pedindo mais uma cerveja. Dessa vez uma Budwaiser, que me custou outros 7 dolares. Pelo menos o Brasil ganhou a partida e sai de lá satisfeito com o investimento que eu fiz.

Chegando no hostel, encontrei meus dois companheiros de quarto. Hoje eles estavam decididos a sair e comer comida brasileira. Acompanhei eles até um restaurante brasileiro ali perto e eles comeram feijoada. Adoraram. Ficamos conversando sobre o Brasil e como é perigoso para um turista ir para lá. Um deles, o russo, tem como sonho ir visitar nosso país. Deixei um cartão com ele, para caso ele decida ir.

Na volta, compramos uma caixa de cerveja e ficamos batendo papo até tarde, a toa. Se juntou ao grupo um Koreano em férias nos estados unidos que ainda falava inglês lentamente. O lugar era um salão de jogos, e um grupo de ingleses tentava abrir uma garrafa de vinho com uma faca. Nesse momento eu lembrei que eu tinha um canivete na mochila, e fui buscá-lo na esperança de ter um abridor de garrafas.

O mais incrível é que eu saí do Brasil e entrei nos Estados Unidos de boa com um canivete na mochila. Isso porque eu passei por umas 3 revistas diferentes, vários aparelhos de raio-x e tudo o mais. Mesmo assim, ninguém me falou nada. Já foi o tempo em que se levava a sério esse negócio de terrorismo.

E isso é uma coisa que achei estranha aqui em Boston. Eles não estão nem aí para esse negócio de terrorismo. Não há milhares de câmeras espalhadas por todos os lados, nem avisos de que se deve estar atento a qualquer coisa deixada pelo caminho. As latas de lixo no centro são de metal escuro e todos parecem despreocupados.

Eles conseguiram abrir a garrafa de vinho, que estava realmente muito bom. Depois de algum tempo, fui descansar.

Entendendo Boston

Hoje sai para mais um dia de passeio como no dia anterior. A diferença que agora já me sinto praticamente um cidadão de Boston. Assim, enquanto caminhava para pegar o ônibus, já me planejando.

Cheguei no centro de Boston e, novamente, as ruas estavam vazias e as lojas estavam sendo abertas. E isso já era 9:30! Comprei uma água no meu mais novo fornecedor de tranqueiras, bebidas e afins, o 7-eleven e fui até a Border, uma livraria gigante, para dar uma olhada em alguns dos guias da cidade e descobrir o que fazer.

É engraçado ver que eu não sou o único a ir explorar os recursos deles! Mesmo de manhã já tinha uma grande quantidade de pessoas sentadas lá, lendo revistas e jornais. E a fila para o caixa já estava movimentada. Achei um guia como o de Londres, e comecei a tentar entender um pouco melhor a cidade.

Primeira coisa interessante sobre Boston é que essa foi uma das primeiras cidades a serem criadas, assim como se travaram diversas batalhas aqui no período da colônia. Um exemplo é a famosa Tea Party, na qual os americanos invadiram um carregamento de chá inglês e jogaram tudo no mar! A segunda coisa interessante é que, dentre os passeios sugeridos pelo guia, tinha um chamado The Freedom Trail. Eu já tinha ouvido falar dele, mas não tinha nem idéia do que seria.

Caminhei até o parque da cidade, onde supostamente começaria o passeio. No meio do parque, próximo a um chafariz, vários grupos de turstas se reuniam e se organizavam para sair. Numa das saídas dali, começava no chão uma faixa vermelha, com uns 20 centimetros de largura e feita em tijolos! Esse era o sinal para indicar que alí começava meu passeio.

Segui a trilha de tijolos vermelhos até o primeiro monumento, parte dentro e parte fora do parque. Era um monumento ao primeiro batalhão de voluntários negros que lutaram na guerra civil americana e foram mortos em alguma ação, isso em 1800 e alguma coisa. Dali segui para a Massachusetts State House, uma construção impressionante, coberta por uma abóbada em ouro, mas que eu já tinha visto no dia anterior. Até aí, nenhuma novidade.

Porém, continuando a seguir a Freedon Trail, comecei a me deparar com uma infinidade de cemitérios importantes, igrejas e contruções antigas onde diversos eventos da história americana ocorreram. A cidade começou a mudar na minha cabeça e, naquele momento, comecei a entender porque centenas de turistas vem para cá! Era um museu a céu aberto com quase 2 km de extensão.

As lojas se amontuavam pelo caminho ao redor da trilha, juntamente com as construções antigas extremamente bem preservadas e os turistas. Tudo que tinha alguma razão para ser visitado era um museu. Pago. Como eu estava com um escorpião no bolso, optei pela caminhada e monumentos ao ar livre.

A trilha me levou por caminhos fantásticos, cheio de cores, composições de prédios que misturavam história e modernidade, alamedas arborizadas e caminhos que quase eram secretos. Você quase podia sentir os acontecimentos, ver as pessoas vestidas como a 300 anos atrás, vivendo naquelas construções tão bonitas e sólidas. Cada esquina revelava uma agradável surpresa, como uma feira que estava acontecendo próxima dos mercados centrais.

Quanto mais eu andava, menos pessoas persistiam seguindo a trilha. Um grupo de pessoas levava um grupo de bebês em cadeiras de passeio perseguia velozmente o caminho traçado. Eles estavam determinados a bater algum tipo de recorde, e várias vezes nos trombamos no caminho.

Após quase 2 ou 3 horas de caminhada, cheguei num porto, onde estavam expostos dois navio de guerra americano. O primeiro era um navio super antigo, que estava preservado para visitação, associado a um museu. Pago. O segundo era um navio que lutou na segunda grande guerra e, esse sim, estava com a entrada liberada para turistas econômicos!

Fiquei chocado com os ambientes dentro do navio. Salas apertadas e escuras dava uma sensação de caustrofobia. Todos os espaços eram, de alguma maneira, aproveitados. Munição de diversos tipos conviviam com os marinheiros, que tinha que ter força para carregar, de forma manual, a artilharia do navio. Aquele lugar parecia completamente desprovido de conforto. O único lugar que vi algo diferente disso foi o quarto do capitão, que tinha uma cama parca e diversos telefones e sinalizadores, que com certeza lhe tiravam qualquer tipo de sossego que ele pudesse ter.

O sol do meio dia era implacável, minhas pernas estavam cansadas depois de tantas horas caminhando e meu espirito estava abalado com o navio de guerra. Me sentei próximo a um grupo de atores que estavam caracterizados como pessoas do século 17, acho. Meditei alguns minutos, retomei o fôlego e segui para a útima parte do caminho: a ida ao monumento!

Mais uma boa caminhada e cheguei ao monumento. No alto de um enorme lance de escadas, lá estava ele. Parecia o obelisco, do Ibirapuera. Me aproximei e vi que a entrada era gratuita. Dentro do obelisco havia uma grande escada em caracol com 294 degraus.

Meu Deus!!! Que subida insana! Minhas pernas tremiam e e mal consegui ficar de pé! A vista de lá de cima era bonita. Fiquei um bom tempo lá, esperando minhas pernas descansarem. A descida parecia nunca acabar. Cheguei de volta a base do monumento, fui até as escadas na entrada e me sentei. Segui para uma biblioteca que ficava ali na frente, e que servia como um museu sobre a história americana. Estava tão consado que a melhor parte daquele lugar eram os bancos e o ar condicionado.

Assim que me senti melhor, rumei de volta para o centro da cidade.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mapa do dia 1

Para completar minha viagem do primeiro dia, aqui vai um mapa da minha trajetória em Boston.


Boston, aí vou eu!

Graças a um de meus companheiros de quarto, consegui levantar cedo. Eram umas 7:30 quando desisti de lutar contra o barulho que o cara fazia para arrumar suas coisas e decidi ir tomar um banho.

Saí na esperança de tomar um café da manhã, por mais simples que fosse, mas o símpatico funcionário, que já estava farto das minhas perguntas, dissipou minhas esperança, retrucando com um "vocên não leu isso no site antes do fazer a reserva?". Mais gentil que isso, só mesmo os franceses.

Isso me adiantou alguns minutos e, ates das 9:00 já estava na rua, rumando para Boston. Com meu guia de passeio em mãos, segui para o centro da cidade, junto com um monte de gente apressada, correndo para seus empregos. Me senti o único turista lá! Todos pareciam estar atrasados e me olhavam como se fosse um alienígena. Dessa vez me senti assim também. Peguei um jornal e descobri, através do Metro News, que perdemos no futebol feminino para os Estados Unidos. Bad news, mas não para eles, que comemoravam a vitória, dizendo que a defesa sobrepujou nossa atacante Marta, a melhor do mundo.

Cheguei no centro e tudo estava fechado e a cidade acordava. Todas as pessoas desfilavam com seus copos de chocolate com leite e café de 900 ml. Caminhei a manhã toda e as coisas andavam devagar. Visitei um parque, 3 cortes de justiça e não encontrei nenhum supermercado. Percorri um caminho gigantesco, passando por um mercado de comidas e um monumento lembrando o nazismo. O monumento era bem interessante e continha diversos relatos das pessoas nos campos de concentração.

No final, desembarquei em uma espécie de porto que lembrava as bordas do rio Thames. O cheiro de mar era fantástico e me trouxe diversas lembranças. Lá tinha um grande aquário, um grande cinema 3d sobre o mar e mais grandes embarcações para ir visitar baleias e passear pelas ilhas próximas. Ainda não estava com coragem para investir dinheiro nessas coisas, especialmente para fazer a viagem sozinho. Nesse momento me senti um pouco abatido com a solidão.

Tive uma amostra grátis do aquário, com alguns leões marinhos que ficavam num vidro expostos ao público externo. Este era formado por crianças bem pequenas, que se divertiam com os bichos. Os americanos realmente pensam nos detalhes! Tudo é caro, mas eles se divertem!

Nessa região me senti em um feriado. Acho que todo mundo acordou por volta do meio dia, pois quando voltei pelos mesmos lugares pelos quais já tinha passado, todas as ruas estavam lotadas! Fiquei me perguntando como uma cidade tão simples consegue atrair tanto turista! Não há nada de extraorinário aqui, apenas coisas bem construidas e pensadas.

Alias, essa é uma característica que me chamou muito a atenção. Tudo que é construido aqui, parece que foi bem feito e, principalmente, é sempre bem mantido. A todo momento você equipes de manutenção rodando de um lado para o outro, trocando peças, limpando vidros, regando plantas. Tudo parece sempre recem construido, mesmo coisas de 1700, 1800.

No resto do dia revisitei o parque, que já parecia outro lugar com dezenas de pessoas tomando sol, passeando e se divertindo em uma espécie de piscina pública, na qual todas as criaças tomavam banho e alguns adultos arriscavam molhar os pés. Era bem rasa, e um casal a atravessa, compartilhando a diversão com a criançada. Quando cheguei no parque uma banda gospel começou a tocar no coreto. Isso espantou alguns, atraiu outros, mas de um modo geral não perturbou a paz do dia.

Sai de lá decidido a ir visitar o MIT. A cidade é minuscula, e calculei que precisaria de uns 25 minutos para chegar lá. No caminho, tinha uma ponte. E uma ponte que me parecia intrasponível, senão de metro. Tive que abrir mão da minha caminhada e pegar uma carona com o trem. Mais uma vez, subi do lado errado da estação, esporte em que estou ficando cada dia melhor.

O MIT é um lugar um pouco frio, com muitas construções estranhas e pouca gente. Isso porque tinha um grupo de alunos se preparando para a recepção dos bixos. No começo achei que se tratasse de algum experimento. Depois, vi umas barracas e uma frase no mínimo estranha: "Os fracos serão devorados (the weaks shall be eaten)". Bom, deve se tratar de algum ritual de entrada, mas com certeza apoiado pela universidade, já que estava sendo montado entre seus prédios.

Apesar de esquisito, o lugar é muito bem localizado, próximo ao rio Charles, que parece estar em todo o lugar. Além disso, está muito perto do metro, de restaurantes, hoteis e tudo o mais. Outra coisa que me chamou a atenção foi uma espécie de loja do MIT. Lá você pode comprar quase qualquer coisa com o escudo da escola. Ia de compos de cerveja e abridores de carta até canetas de ouro e relógios. Sem contar uma maravilhosa livraria de exatas e administração, onde encontrei vários clássicos das duas áreas. Até me emocionei quando ví ali o livro do Balanis de Teoria de Antenas e o livro de Petter Senge, a quinta disciplina. Esse último na área de autores do MIT.

Bom, fica aqui a idéia: construir uma linha de produtos especializados para as universidades de ponta do Brasil. Quantos recém formados não gostariam de ter uma caneta de ouro da Poli-USP?

Fim de dia e as ruas pareciam cada vez mais cheia. O calor aumentava e eu só queria ir para casa. Finalmente encontrei meu mais novo fornecer de comida, o 7-eleven. Uma rede de baixo custo na qual um só cara fica no caixa e o resto é por sua conta! O auto-atendimento levao tão a sério que você mesmo monta seu café, pega seu donuts e vai para o caixa pagar. Voltei para casa, novamente pegando o metro para o lado errado (é preciso praticar!) e finalmente consegui ligar meu computador!

Enquanto conversava, aconteceu algum tipo de acidente. Mas isso só aconteceu para que minha mãe ficasse preocupada. Ela disse "Que barulho foi esse?", "Foi só pneus cantando aqui perto". Alguns minutos depois já tinha bombeiros, polícia, ambulância e tudo mais. Seja o que foi, agora está tudo calmo novamente.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Segunda Parte: O Hostel

Depois de conseguir contactar o Junior, já com o endereço do Hostel, tudo se deu de forma tranquila. O sistema de metrô e ônibus são bem parecidos com o de São Paulo. Sabendo em que estação descer, não há nenhuma dificuldade.

A sensação era de estar chegando no Brasil. Durante o trajeto, passei por umas 3 ou 4 igrejas brasileiras.

No ônibus para o hostel conheci um casal de Alemães que estavam indo para o mesmo lugar. O hostel era bem simpático, com uma longa varanda e algumas pessoas aproveitando o frescor da tarde para conversar e acessar a internet. Gostei do lugar. Na parede, logo na recepção, eles ostentavam uma enorme placa que afirmava serem o hostel número 1 segundo o site hostels.com. Tudo parecia condisente.

Após o checkin, fomos informados que nã ficaríamos ali, e sim seríamos levados para o outro prédio deles, que era mais novo. Como em Londres isso nos trouxe muita sorte, não me preocupei. O segundo lugar era menos acolhedor que o primeiro, a começar por estar localizado próximo a uma rodovia. A frente nao exibia a enorme varanda do outro, tendo apenas uma porta que se mantêm fechada e que, ao entrarmos, recebemos uma cópia da chave.

Meu quarto é um lugar quente e tranquilo. Até agora, as pessoas que estão aqui parecem muito sossegadas. Hoje conheci um americano e um inglês, que falavam de modo compreensível. Não vi outras pessoas, apesar das malas espalhadas no quarto.

Meu note ficou sem bateria e nem o padrão inglês, nem o padrão brasileiros poderiam me ajudar... Sai em busca de um adaptador, sem sucesso. Teria que ir para Boston para comprar um.

Nesse momento descobri que não estou em Boston! Na verdade estou em uma cidade Chamada Everet, que fica próxima de Boston. Assim como o Babson College não está em Boston, e sim em Wellesley. Como o sistema de transporte é estadual, praticamente não dá para notar a diferença.

Consegui jantar em um fastfood brasileiro, que ficava dentro da loja de conveniência de um posto de gasolina. Comi um X-salada, com menu em português e tudo mais. Os dois caras que trabalhavam lá vieram pelo México e estavam ilegal. Trabalhavam 12 horas por dia, 7 dias por semana pra juntar dinheiro e voltar para o Brasil. É uma escolha esquisita, mas parece que muita gente acha atraente, já que, segundo eles, quase todo o bairro onde estamos fez o mesmo.

Depois da janta comecei tomei um banho. Conheci um frances que estava voltando pra França. Ele trabalhou uns 6 meses no Canadá, conheceu uma francesa lá e agora está voltando para a França para ficar com ela. Esse mundo com certeza é muito pequeno. Como ele disse, por que não conhecer uma canadense, ou conhecer uma francesa na França?

Noite de sono tranquila, pouscas vezes interrompidas. E olha que eu estava preparado para o pior! O pessoal todo saiu bem na hora que eu estava indo dormir. Mas foram tranquilos ao voltar e eu nem percebi. Acho q a noite sem dormir no avião colaborou um pouco!

Primeiro dia de viagem

Como a poltrona de um avião foi fantásticamente desenvolvida para se ter uma terrível noite de sono! Acho que não conseguia prosseguir dormindo mais que 30 minutos consecutivos. Eles serviram o café e já estava dia. O café, sem fugir a regra, foi ruim, com uma salada de frutas e pão.

Deixei um cartão com o jogador, que no final das contas, nem cheguei a perguntar seu nome. Bom, quem sabe ele mande um email. O vôo chegou atrasado e eu fui o mais rápido possível fazer a entrada nos EUA. Imaginei que seria demorado e só me restava 1:30 antes do meu próximo vôo, de Dallas para Boston.

Dallas estava abafado e quente, um clima cansativo. O lugar para a fila era enorme, e com razão. A fila ocupava todo o espaço disponível. EU estava animado, achei que daria tempo de ir. Puxei assunto com uma menina que estava vindo visitar o marido, que fazia doutorado em New Orleans. Ela disse que várias vezes passara por essa situação e sempre dava tempo. Me animei e ficamos conversando.
Porém, algum tempo depois, um grupo de militares adentrou o saguão. Todos fardados, exibindo a bandeira dos Estados Unidos na manga, foram formando uma fila. Eu acho que eles não estavam vindo do Iraque. Pareciam de certa forma tranquilos e em bom estado. Me chamou a atenç#ao o fato de não estarem totalmente padronizados. Cada um tinha uma mochila diferente, é claro que seguia o padrão de camuflagem da roupa, mas com muitos detalhes e cortes particulares.

Isso travou a fila por quase meia hora. E, consequentemente, os atendentes começaram a acelerar as entrevistas. Eu acho que eu atraio esse tipo de coisa, o que é bom! Em Londres foi a mesma coisa, com a chegada de uma excursão vinda de algum país nórdico. No consulado americano foi a mesma coisa, com a caida do sistema.

Minha entrevista durou uns 10 segundos. Corri para pegar minha pagagem e voei para tentar pegar meu vôo. Eram 10:15 e meu avião partia as 10:30. Impossível! Cheguei no guichê de emabarque uns 10 minutos atrasado. Os atendentes que estavam lá nem perguntaram muita coisa e logo me arrumaram um ticket para o vôo das 11:35. Já me apontei para lá, para não ter mais problemas.

Consegui comprar um cartão para ligações internacionais e estabeleci meu primeiro contato com o Brasil. Consegui falar com minha mãe e, em seguida, coma Carol, pelo celular.

Na viagem para Boston, me sentei do lado de uma coreana. Ela estava chegando da Corea e indo para Boston para fazer um mestrado em piano. Iria ficar lá por 5 anos, fazendo o mestrado seguido pelo doutorado. Estava chegando para o início de uma vida completamente nova. Ela falava inglês relativamente compreesível. Conseguimos conversar um pouco,
mas tanto ela quanto eu estavamos sem gosto nem graça.

No final do vôo comecei a ter dores de cabeça e enjôo. Uma pontada forte na minha testa enquanto o avião inicava o pouso me fazia sentir como se estivesse com uma bolha de ar que estava espandindo por causa do aumento da pressão externa.

O pouso foi conturbado e dia estava quente. Consegui estabelecer contato com o Brasil novamente, mas não consegui encontrar a Carol com meu próximo destino. Comi um lanche de frango no Burger King e agora estou esperando para fazer uma ligação para descobrir para onde devo ir.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A viagem

Tudo foi tão corrido quanto o possível. Como um dia qualquer, acordei cedo e fomos para a empresa, com um projeto grande para terminar e milhões de coisas pendêntes para a viagem. A viagem estava marcada para hoje e eu ainda não tinha recebido meu passaporte. Já estava sentindo o frio na barriga.

Por volta da hora do almoço, trocamos o trabalho pela viagem. Aliás, antes disso a Carol já estava cuidando de todos os detalhes: ligando para descobrir onde comprar travelers checks, onde conseguir seguro saúde, preparando a agenda para o fim do dia.

Saimos correndo para resolver as coisas. O gatilho foi dado por uma ligação vinda da portaria, dizendo que o SEDEX tinha chegado. Isso foi por volta das 16hrs.

Depois disso ainda conseguimos ir comprar dolares, comprar o seguro saúde, consegui cortar o cabelo, a Carol foi fazer compras para a viagem enquanto eu passava na empresa para fechar alguma coisa e buscar meus cartões de visita, que ela e o Junior conseguiram aprontar em inglês para o evento. Nos poucos minutos que fiquei na sala, consegui ligar para um cliente e dar algumas explicações para o Junior de como estavam as coisas na área de desenvolvimento.

Arrumamos a mala voando, e tudo só está dentro dela pois a Carol preparou uma lista enquanto estava com a cabeça fria. Tudo checado. Às 20:30 estavamos prontos e meus pais já estavam na porta do nosso apartamento para nos levarmos para o aeroporto.

A noite, os aeroportos parecem um pouco mais tristes. A falta de gente e as lojas fechadas deixam o clima um pouco melancólico, especialmente quando é você que está para partir, deixando todos que você ama para trás. Eu estava decidido a não chorar. O jogo de volei de praia entre Brasil e a China ajudou no meu intuito, destraindo a minha atenção e da minha namorada. Estavamos em 5 nesse momento. Meu pai, minha mãe, meu irmão e meu anjo, a Carol. Sem ela, com certeza, eu não teria tido condições de fazer essa viagem. Todo seu apoio e ajuda foram absolutamente fundamentais.

Por volta das 10:40 decidi entrar para a área de embarque. dessa vez, durante a revista, mentive minha atenção redobrada sobre minha carteira, que na minha viagem para a Inglaterra quase ficou aqui no Brasil ali mesmo, na área de revista.

Parece que o nosso era o único vôo a sair daquela área. O clima ficou ainda mais pesado e eu tentava me destrair olhando os itens do FreeShop. Nada ali me interessava. Um jogo totalmente desinteressante me destraiu a atenção por mais alguns minutos, enquanto os times se degladiavam nos penalts. Coitado do único cara que errou o penault.

Logo mais começamos a embracar. Sentei na janela e ao meu lado um senhor, com seus 45 anos, começou a puxar assunto. A noite ficou um pouco mais animada, já que passamos um bom tempo conversando sobre coisas quaisquer. Ele era jogador de futebol profissional nos EUA e agora era treinador. Estava morando lá desde 91 e estava de visita no Brasil.

A janta estava ruim, como era de se esperar. Carne com batata e pão. Depois disso, logo cai no sono.